Este texto tem um aviso logo no começo: não sou psicólogo, e o que vem aqui é observação de quem passou pelo processo e conversou com bastante gente que também passou. Para o diagnóstico, procure profissional.
Quando costuma funcionar
Terapia de casal rende quando os dois querem continuar juntos e não sabem como. É o caso de casais que brigam pelos mesmos assuntos há anos, que perderam a capacidade de conversar sem escalar, ou que passaram por um evento difícil — doença, luto, uma traição que os dois querem superar — e travaram ali.
Também rende quando o problema é de tradução: dois jeitos diferentes de demonstrar afeto, que cada um lê como falta.
Quando não adianta
Quando um dos dois já decidiu sair e está usando a terapia para amaciar a saída. Acontece bastante, e o processo vira um teatro caro.
Quando um vai só para provar que o outro está errado. O consultório vira tribunal, e nenhum terapeuta emite sentença.
E quando há violência. Nesse caso não é terapia de casal que se indica — é proteção, e o encaminhamento é outro.
A resistência mais comum
“Ele nunca vai aceitar ir.” Talvez não. Mas vale saber que terapia individual muda relacionamento também — porque muda a metade que está fazendo terapia, e uma dança de dois se altera quando um dos dois muda o passo.
Ir sozinho não é prêmio de consolação. Em muitos casos é o que destrava.
Expectativa de prazo
Não é conversa de duas sessões. Costuma levar meses, e existe um período no meio em que as coisas pioram, porque assuntos guardados finalmente saem. Casais que desistem geralmente desistem exatamente aí.
Vale combinar entre vocês um número mínimo de sessões antes de avaliar — algo como dez. Sem isso, a primeira sessão difícil vira motivo para parar.
E se a conclusão for separar
Acontece, e não significa que a terapia falhou. Chegar a uma separação conversada, com menos destruição e com um acordo sobre filhos e bens, é um resultado — e frequentemente é o melhor disponível.
Sérgio Andrade escreve no Dicas Viva Mais sobre as decisões práticas de quem recomeça a vida afetiva depois dos quarenta. Separado, pai de dois filhos adultos, prefere texto que resolve alguma coisa a texto que só emociona.





